Por Onde Anda - Cesar Bastos Alpendre

03/09/2018

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* Texto publicado originalmente em nosso jornal Fator A, edição 37, de maio de 2016.
Edição: Raphael Ramirez


Nasci em 30 de outubro de 1943, em Curitiba (PR), mas com seis anos meus pais se mudaram para Morretes, no litoral do Paraná. Passei minha infância e adolescência em Morretes (PR), entre rios de águas límpidas, pescando lambaris e caçando passarinhos com estilingue, indo às matinês aos domingos para assistir filmes do farwest americano e depois da sessão ir brincar de mocinho e bandido com os piás da minha vizinhança. Eu era sempre o mocinho e também fornecia as armas que eu mesmo fabricava.

Cursei a escola pública primária na Escola Miguel Schleder e depois o ginásio no Colégio Estadual Rocha Pombo. Fiz o segundo grau profissionalizante na Escola Normal Silveira Neto (formação de professores) e na Escola de Contabilidade, ambas simultaneamente. Em 1963 entrei para a Universidade Federal do Paraná no curso de Ciências Econômicas, onde me graduei em 1966.

A origem da minha família é de imigrantes portugueses e italianos. Meu pai e meu avô paterno foram políticos em Morretes, de maneira que convivi com esse agito da política municipal, mas nunca me interessei em seguir esse caminho.

Enquanto fazia o curso de economia, comecei a trabalhar no Bamerindus, em 1963, na agência Marechal Floriano, em Curitiba, datilografando títulos de cobrança. O meu chefe era o Pedro Gomes. Um ano depois, o Bamerindus montou o seu Centro Eletrônico de Processamento de Dados, no Portão, quando então, todos da Cobrança fomos para lá.

Inicialmente tivemos um treinamento de ambientação com os novos dispositivos de trabalho, tais como cartão perfurado, máquina perfuradora de cartões, interpretadora, classificadora, etc., tudo isso ensinado pelo Nereo Bonetto, que era da Univac, a empresa americana fornecedora de todos os equipamentos eletrônicos.

O tempo passou e me formei em economia, quando o Augusto Gonçalves, então gerente do CPD, com o aval do Mário Nascimento de Paula Xavier (diretor do CPD), me convidou para fazer um curso de programação de computador, em São Paulo (SP). Aceitei na hora, pois vislumbrei um novo horizonte profissional. Fiz essa formação durante três meses e mais um estágio de um mês num banco de lá, que usava a mesma tecnologia do Bamerindus.

Voltando de São Paulo, em 1967, comecei a atuar como programador de computador do sistema Univac-1004. Neste período, foi crucial o suporte que me foi dado pelo Nelio Possobom, então programador da Univac. Depois disso, passei a atuar solo com desenvoltura no desenvolvimento dos sistemas que eram requeridos.

Durante este tempo, o desenvolvimento dos programas era bastante complicado, pois exigia grande esforço nos testes do sistema, com dedicação de muitas horas de uso exclusivo de máquina, tempo esse compartilhado com os operadores dos sistemas já em operação. Havia necessidade de se fazer muita barganha com os operadores e, algumas vezes, prevalecia a autoridade do gerente, na urgência/ importância do novo sistema que estava em desenvolvimento. Eram operadores nessa época Nestor Renato Miller, Dálcio Rodrigues, Talme Fonseca, Alberto Takayasu e Rubens Erthal, entre outros.

Para atender a demanda de desenvolvimento de novos sistemas, houve também a formação de novos programadores, tais como Ademir Wollmann, Lineu Machado Maia e Jair Euclides Capristo, e todos fizemos os treinamentos necessários para manipular a nova tecnologia de computador IBM /360, que veio substituir os sistemas Univac e logo a seguir foi construído o novo CPD na Av. Pres. Kennedy, que está lá até hoje.

A evolução da tecnologia dos computadores tem sido muito radical, mas eu sempre tento acompanhá-la. Fiz especializações em projetos de banco de dados, para embasar os desenvolvimentos de sistemas. Participei do recrutamento e formação de novos analistas/ programadores, para suprir a demanda dos sistemas. Após a aquisição do Bamerindus pelo HSBC, também exerci o papel de suporte à análise de sistemas com orientação ao uso de métodos padronizados trazidos de Londres, com apoio de ferramentas CASE.

Em 2002, me aposentei do HSBC, após 39 anos de trabalho na organização, mas continuei no projeto da HP por sete meses, para substituição de todos os processos computacionais de mainframe. Como esse projeto foi abortado, saí da HP, mas continuei dando suporte ao HSBC, através da empresa Negócios Integrados, do José Buiar, na qual fiquei até 2009, quando por fim parei de trabalhar.

Desse momento em diante, passei a repensar a minha vida, pondo em prática planos antigos de viagens e lazer. Tenho ultimamente feito uma ou duas viagens ao exterior, como Argentina, Chile, Peru, Estados Unidos, Canadá e Europa (Portugal, Espanha, Itália, Mônaco, Suíça e França).

Sou casado com Elizabeth Vidolin Alpendre há 43 anos. Temos um casal de filhos, Samanta e Cristiano, e cinco netos: Leonardo, Juliano e Marcus, Gisele e Luka. Como o Cristiano mora e atua como médico em Tampa-FL, eu e Elizabeth estamos sempre indo ao EUA.

Para passar o meu tempo, tenho desenvolvido alguns aplicativos Windows, sendo que um deles é para gerenciar o meu bar, para fazer coquetéis que a cada fim de semana ponho em prática. Outro foi para gerenciar os associados da APABAM, em duas versões, uma para Web e outra para Windows. Criei outro aplicativo para gerenciar uma biblioteca de livros e outro para gerenciar filmes de filmoteca, para um amigo. E assim vou me divertindo em fazer esses aplicativos.

Um convite para os meus colegas bamerindianos que ainda não são associados da APABAM: venham fazer parte dessa entidade como associados, uma vez que a APABAM faz um trabalho sério na preservação dos nossos direitos enquanto ex-bamerindianos.

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