Por Onde Anda - Alfredo Carvalho Silva Filho

27/08/2018

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* Texto publicado originalmente em nosso jornal Fator A, edição 38, de dezembro de 2016
Edição: Raphael Ramirez


Passei a minha infância num bairro com nome estranho, Chora Menino, próximo ao bairro Imirim, na Zona Norte de São Paulo (SP). Minha família era simples: meu pai era garçom e minha mãe, costureira. Tive também uma irmã mais velha, e juntos, vivíamos todos bem. Meus pais sempre falavam: “Estudar, estudar, estudar...”. Entrei no seminário onde estudei o ginásio e clássico (Cientifico), e tenho que reconhecer que minha formação, tanto moral quanto escolar, foi espetacular. Formei-me em Matemática e em diversos cursos voltados a Informática.

Foi fácil passar em testes para emprego e após uns dois anos na Associação Comercial de São Paulo, ingressei no Banco INCO (Ind. e Com. de Santa Catarina, hoje Bradesco). Desenvolvemos os sistemas para automatizar o INCO e foi um sucesso. Paralelamente, me destaquei, e fui convidado a trabalhar na Burroughs (concorrente da IBM) e devidamente autorizado pelo meu diretor do INCO, onde eu era programador/analista, fui atuar como operador na Burroughs. Comprei com este extra o meu primeiro Fusca; mas tudo que é demais cansa e mudei de emprego, trocando 15 horas de trabalho para um expediente normal.

Fui trabalhar na Cebi Informática, em São Caetano do Sul (SP), um bureau de serviços do Banco de São Caetano, depois Bancial. Sendo nosso principal cliente o banco, desenvolvi e implantei o sistema de FGTS. Éramos uma equipe boa, e em poucos meses o Banco São Caetano foi o primeiro banco totalmente controlado por computador em que saia diariamente o balanço impresso eletronicamente.

Quando o Bamerindus adquiriu o Bancial, continuamos prestando serviços ao novo patrão e eu tive, junto com o Francisco de Assis Santos, o prazer de ser convidado pelo Aderbal e Jair Euclides Capristo a trabalhar e desenvolver o sistema FGTS para o Bamerindus. Mudei de SP para Curitiba (PR) em 75, e com uma equipe espetacular de analistas de sistemas e métodos, desenvolvemos o FGTS em quatro meses e nosso grande usuário, Etelvino N.Marca, implantou-se o controle no banco.

Assim iniciei minha carreira na Kennedy, DIPRO-ASC-DESIM, onde participei de diversas equipes, todas de alta competência, e me orgulho de nossas equipes de desenvolvimento e métodos serem pioneiras e exemplo para os demais bancos. Sempre saímos na frente e éramos copiados. Sinceramente, acho que a equipe Bamerindus foi a melhor do mercado.

Tínhamos o CPD-SP, coincidentemente em São Caetano e fui convidado para gerenciá-lo na fase de construção do Ceasa. Graças à competência da incansável equipe técnica de SP e Curitiba, foi um sucesso a mudança para o novo centro administrativo. O Enio era o grande coordenador geral em SP e administrou os diversos setores que se estabeleceram no CASP.

Durante esta etapa desenvolveu-se os PDRS, que facilitou o abastecimento do movimento do banco (hoje não se imagina o trabalho da época, com máquinas leitoras de cassetes e disquetes enormes, evoluídos para os pequenos que alguns saudosistas utilizam até hoje), mas o grande problema da época era a comunicação e as estradas horrorosas onde o pessoal do transporte e Secons, que dividiam com os pdrs responsabilidades de cumprimentos de horários, fazendo verdadeiros milagres, enfim, bamerindianos maravilhosos que eram gente que faz. Depois da mudança de São Caetano para CASP Ceasa, voltei para Curitiba, onde trabalhei no CPD e Desim.

Foi criado em SP a área internacional corporativa e para lá fui trabalhar, onde eram desenvolvidos projetos financeiros e de serviços para os grandes clientes da Rede. Cuidei nacionalmente do segmento eletroeletrônico e de atendimento a bancos - clientes na parte de prestação de serviços. Nossa rede era fabulosa; banco igual a Bamerindus nunca existiu e nem haverá outro.

Dois meses antes de o HSBC adquirir o banco, me aposentei e hoje sou apabeano. Não conseguiria nominar os grandes amigos, pois foram muitos, desde área de sistemas, métodos, CPDS, PDRS, agências e matriz. Quem se aposenta não costuma parar, independente da renda, e eu parti para Comércio Exterior, onde atuo até hoje na área de importação e exportação, área muito sensível com altos e baixos, mas muito contagiante.

Tive um sério problema de saúde há pouco mais de dois anos. Deixo aqui registrada a minha gratidão à Apabam, que me auxiliou muito na parte de aprovações junto à SulAmérica. Moro em Praia Grande. Tenho quatro filhos e quatro netos, os quais são a alegria de minha vida.

Quando jovem, fundei com amigos um grupo chamado JUCO, com antigos congregados marianos, filhas de Maria, e outras comunidades da Igreja do Imirim, e hoje esse grupo conta com mais de 300 membros e ainda se mantem unido, mesmo 49 anos depois, com bailes, festas, encontros, passeios, grupos no Facebook e Whatsapp, etc; e no lugar da comunidade juvenil de 1967, hoje somos os jovens velhinhos. Este grupo de tantos anos é o meu melhor hobby.

Eu só tenho agradecimentos ao pessoal que cuida e cuidou da Apabam, que além de lutar pela manutenção dos nossos direitos, luta pelo bem estar do grupo e do patrimônio conquistado.

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