Por Onde Anda - Moaldir Volpato

27/08/2018

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* Texto publicado originalmente em nosso jornal Fator A, edição 38, de dezembro de 2016
Edição: Raphael Ramirez


Nasci no dia 06 de novembro de 1939, na cidade de Orleans (SC). Era o filho mais novo de uma família de cinco irmãos, e morei a maior parte da infância em Tubarão (SC). Meu pai era comerciante e minha mãe cuidava dos filhos; ambos tinham muita preocupação com a educação das crianças. Brincava na rua, jogava bola, caçava de estilingue, como era normal na época.

Minha família é de origem italiana, meus pais eram filhos de imigrantes. Meu pai era um empreendedor: teve uma moagem de café e farinha de milho, restaurante e instalou a única fábrica de açúcar refinado branco fora dos grandes polos produtores nacionais. Ele foi um grande exemplo de retidão, honestidade e pai de família, não só para mim como para todos os outros filhos e netos da família.

Estudei no Colégio São José, no Ginásio Dehon e na Escola Técnica de Comércio, todos em Tubarão. Fiz faculdade de Economia em Tubarão e em Londrina (PR), mas não completei os cursos. Formei-me em Gestão Estratégica das Organizações na Unisul, em 2005, já após a aposentadoria.

Iniciei minha carreira bancária no Banco Sul do Brasil, em Tubarão, como contador, em abril de 1963. Fazia a contabilidade e administração geral da agência. Um ano depois assumi a gerência da mesma agência.

Entrei no então Banco Mercantil e Industrial de Santa Catarina em maio de 1970, como gerente da agência de Tubarão, a convite do doutor Estanislaw Bartczak. A inauguração teve a presença do seu Avelino e seus filhos, Cláudio e Luiz Antônio. Marcou-me muito um elogio que recebi, naquele dia, do seu Avelino: "Volpato, parabéns, esta é a segunda agência do banco em volume de depósitos na inauguração”.

Em 1972 fui para Criciúma (SC), cidade que tinha como riquezas o carvão, cerâmica, calçados, confecções e agroindústria. Muitos dos empresários locais eram meus contemporâneos de escola, o que me ajudou a desenvolver o relacionamento com ótimos clientes para o Bamerindus. Logo, o banco se tornou o preferido das principais empresas da região e a agência era a maior em depósito do público e de operações de Santa Catarina.

Em seguida, junho de 1974, fui para Blumenau (SC). A cidade de cultura germânica, mais séria, exigia que o gerente de banco usasse gravata para visitar as grandes empresas. Outra obrigação era falar alemão, mas eu não entendia uma palavra do idioma. Com muito trabalho consegui desenvolver relacionamentos fortes – duas vezes por semana, ia à fábrica da Hering tomar café da manhã com o Ivo Hering às 7h30. Na mesma época, inauguramos as operações de câmbio do Bamerindus na cidade, antes concentradas em Joinville (SC), com a presença dos presidentes do banco e das grandes empresas da região. A agência de Blumenau também viria a ser a maior agência de Santa Catarina em depósitos e negócios, mas o que mais me orgulha é ter colaborado para a expansão do setor têxtil e da Ceval, que com ajuda do Bamerindus, tornou-se uma das maiores companhias alimentícias do Brasil.

A primeira mudança de estado foi em 1976, quando fui para a agência Centro de Londrina. Foi uma grande de mudança no estilo da clientela, já que a cidade era a capital mundial do café. Trabalhei com grandes produtores de café, soja, algodão e gado, uma economia completamente diferente do que conhecia. Felizmente o trabalho duro foi recompensado com uma promoção a gerente regional no final de 1978, quando fui para Florianópolis (SC).

Na capital catarinense conseguimos fazer com que a agência Centro fosse a primeira do país em depósitos, graça a parcerias com grandes empresas e uma negociação envolvendo o financiamento do ICMS para o Governo do Estado. Fizemos também um grande processo de qualificação nos quadros do banco, que trouxe ótimos resultados para o banco e para os funcionários, que se sentiram valorizados.

Em junho de 1980 fui para Porto Alegre (RS), ainda como gerente regional. Dois anos depois, recebi uma promoção para diretor-adjunto. Fizemos um trabalho de qualificação bancária dos funcionários, mudando alguns hábitos, como a resistência ao remanejamento de cidades e estados – os gerentes não gostavam de mudar de agência. Gradualmente mudamos isso. Outro desafio foi cortar o chimarrão dentro das agências, parte importante da cultura gaúcha. A meu ver, no entanto, as paradas para tomar o mate prejudicavam o atendimento. Após alguma resistência, a melhoria na produtividade pelo ganho de tempo para atividades internas e externas fez com que a medida fosse aceita.

Voltei para Londrina em fevereiro em 1984, como diretor-adjunto, e fiquei até o final de 1991. Meu trabalho foi reconstruir a regional de Londrina, que estava há seis meses sem gerente. Investi na recuperação de funcionários, que receberam treinamentos e capacitações que até então não faziam parte da rotina de trabalho. Discutimos internamente nas agências em buscas de solução que levaram Londrina a superar todo o estado de Santa Catarina em volume de depósitos. No final dos anos 1980, incorporamos a regional de Maringá (PR), com sede em Londrina.

Em 92 voltei para Florianópolis, como diretor estatutário. Neste período tenho muita satisfação em ter colaborado na formação de gerentes e futuros diretores regionais e estatutários do banco, algo que muito me orgulha. Foi um período em que a automação das agências exigiu que o Bamerindus investisse na qualificação dos funcionários, algo em que a diretoria de Florianópolis teve participação fundamental.

Saí do banco em abril de 1997, quando houve a intervenção do Banco Central. Montei então uma corretora de seguros e uma empresa de consultoria empresarial, das quais era diretor-proprietário.

Sou casado com a Jane há 53 anos. Temos quatro filhos e dois netos. Credito a Jane o apoio e cobertura total que sempre me deu no desempenho de minhas atividades. Gosto muito de pescar na Praia dos Ingleses, em Florianópolis.

Acompanho os trabalhos desenvolvidos pela Apabam pelos informes enviados e pela revista Fator A. Louvo o esforço da diretoria nos trabalhos que tem desenvolvido pelos apabeanos. Desejo que os colegas apabeanos tomem bastante conta da saúde, para que as fotos dos informes continuem sempre alegres e cheias de vida.

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